Publicidade
Você está aqui: Inicial Colunistas Marco Aurélio Veado GURIZADA DE HOJE: MAIS BURRA OU MAIS ESPERTA?

GURIZADA DE HOJE: MAIS BURRA OU MAIS ESPERTA?

PDFImprimirE-mail

Colunistas - Marco Aurélio Veado

alt

Para os mais liberais, a meninada da atualidade age como gente grande apesar do pouco tempo de existência. Isto implica que a juventude

deste século parece ter mais responsabilidade ou finge ser assim para atrair a atenção dos mais velhos?  Por outro lado, os mais conservadores preferem dizer que a criançada está mais arrogante ou pensa estar apta para se virar sem o conselho ou auxílio dos mais experientes (eufemismo para idoso). 

São muitas opiniões divergentes e convergentes que definem a população que veio ao mundo a partir da metade dos anos 80. O fato é que a mudança de comportamento, atitude e de personalidade deve ser um efeito cíclico natural que vem acontecendo em todas as eras do ser humano. Presumo, no entanto, que desta vez a coisa está mais diferente, pois o excesso de informações que pulula, principalmente via Internet, é intenso e ninguém consegue acompanhar. O tempo de evolução, então, parece que acelerou com relação ao passado. Imaginem que há pouco mais de 10 anos a rede mundial estava engatinhando em termos de usuários. Sem contar outras vantagens eletrônicas que surgiram em tão pouco tempo. O ponto negativo é que essas comodidades pode ter-lhes dado uma espécie de preguiça mental, o que resultou na pouca disposição pela leitura (no caso da Internet, por exemplo) que é a arma para quem quer aprender a se comunicar melhor e aumentar a sua bateria de argumentos quando necessário. Outro efeito contrário desse comodismo seria segundo alguns cientistas que o cérebro dos jovens está literalmente embotando. Explico de maneira leiga, porém, compreensível: como o cérebro é dotado de plasticidade, isto é, adapta-se de acordo com seu uso, a parte da memória está encolhendo porque como a informação detectada assim como vem, vai (como o trovão depois do relâmpago), nada é armazenado. Isto faz com essa área cerebral fique em desuso. Sem sinapses, o neurônio morre. O problema é mais ou menos este, segundo a teoria recentemente divulgada pelos pesquisadores. Realmente, faz sentido. O garoto de hoje é o típico “aqui e agora”. Passado e futuro não interessam para a maioria dos internautas de idade pouco avançada. Portanto, se estiverem certos esses alarmistas, acho que esta é mais uma preocupação para os pais interessados que seu filho progrida intelectualmente falando.

 

Todavia, suponhamos que toda essa teoria possa cair por terra se supormos que a parte da memória está desaparecendo não por causa de involução, mas ao contrário. Perguntem ao Darwin se a minha pressuposição está certa. Diz outra teoria (esta é mais positiva) que os garotos e garotas nascidos a partir dos anos 80, são denominados de “crianças índigo” (termo decorrente da cor de suas auras, ou o campo magnético, que os circunda) porque possuem uma estrutura cerebral diferente quanto à potencialidade dos hemisférios esquerdo - menos desenvolvido - e do direito, mais desenvolvido. Vejam que uma teoria derruba a outra e vice-versa.

 

Quer dizer que elas estariam num estágio além do plano intelectual?  Para os autores dessa teoria, “as crianças índigos aprendem através do nível de explicação, resistindo à memorização mecânica ou a serem simplesmente ouvintes. São hiperativas, distraem-se com facilidade, tendo baixo poder de concentração. Têm alta sensibilidade, não conseguem ficar quietas ou sentadas, a menos que estejam envolvidas em alguma coisa do seu interesse. Por serem orientadas pela parte direita do cérebro, quando adultos, são geralmente atraídas por atividades e ocupações que usam o hemisfério direito, como a música, a arte, a escrita, a espiritualidade”.

 

Sendo índigos ou não, o fato é que todos já devem ter constatado que realmente podemos estar lidando com pessoas superiores (ainda não plenamente estudadas pela Ciência Moderna, pelo visto). Ora, quem conversou com uma criança dos seis aos onze anos deve ter a mesma opinião. Suas perguntas e respostas são consistentes e fogem dos padrões típicos da gurizada do nosso tempo quando a timidez era lugar-comum. Além do mais – e modéstia à parte -, penso que pelo fato de sermos pais mais liberais do que antigamente, deve dar mais motivação ao menino para falar o que pensa (desde que respeitosamente, claro) e escolher suas opções sem intervenção nem exigência superior como era nos tempos de outrora.

 

Hoje, eles não têm a nossa censura com relação, por exemplo, a assuntos ligados ao sexo. É evidente que devemos sempre nos reservar certa distância a fim de que seja mantido o aludido respeito, porque sem disciplina hierárquica não há diálogo que perdure. Coerência/simplicidade seria, pois, o binômio do diálogo ideal e sadio entre pais e filhos. Em outras palavras, conversar com um garoto evitando demonstrar aquele ar de superioridade que poderá tolhê-lo é pressuposto para o debate livre das regras radicais de antigamente. É legal continuar fornecendo mais subsídios para que os espertos rebentos se manifestem com a sua peculiar e inata desenvoltura. Nossos anos de experiência irão, de certo modo, contribuir para o progresso deles.

 

 Assim, com a capacidade intelectual e mental livres de interferências, é de se supor que a criança se manifestará plenamente, dando vazão às suas potencialidades. Quer dizer, já passa da hora para que essas novas gerações peguem as rédeas deste conturbado Planeta em que vivemos. Nosso tempo de vida – e jogo de cintura - aliado à velocidade sináptica deles, vai causar um rebuliço sem precedentes.

 

E complemento do alto da minha vetusta vivência: “demorô”.

Marco Aurelio Veado

 

Publicidade
Banner
Publicidade

Galeria

dsc_0683
dsc_0680
dsc_0677
dsc_0671
dsc_0670
dsc_0667