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MUITO DOIDO!

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Colunistas - Marco Aurélio Veado

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No final do mês passado, meu irmão e eu, fomos à Formiga a fim de revermos os amigos dos tempos em que moramos nessa querida cidade. Além da habitual alegria

de rever a todos, ainda saboreamos um excelente frango ao molho pardo, regado, claro, a gentis doses de suco de cevada e água que passarinho não bebe. Foi mais um agradável encontro com boa parte da turma. Como não podia deixar de ser, não faltaram as histórias engraçadas, as fotos antigas e raras, além de outros assuntos impublicáveis.

 

A prosa estava ótima. Certa hora, comecei a confabular com os Irmãos Duque (da aristocracia formiguense como o próprio nome induz) e então passamos a rememorar os nomes dos chamados “doidos” que tanto nos divertiam por causa de seus trejeitos peculiares, suas vestes inusitadas e suas manias bizarras. Não existe no mundo uma cidade que não tenha o seu tipo folclórico. Mas, Formiga abusava porque tinha – ou tem – mais doido por metro quadrado do que se imagina. Felizmente, na maioria das vezes, esses inocentes amalucados não eram perigosos. Eram muito mais ingênuos e simplórios do que outra coisa. É claro que um ou outro “apelava” quando ouvia ao longe alguém gritar-lhe o apelido indesejável (quando o era, claro). Enquanto comentávamos e ríamos desses indivíduos comecei a matutar comigo mesmo: “Será que essa turba – no bom sentido - era realmente composta de doidões na acepção da palavra  como pressupõem as mentes dos metidos a equilibrados?”

 

E agora, eu complemento, quem ousa dizer que é completamente ciente – e consciente - de todos os seus atos? E quem não tem suas manias íntimas, altamente secretas? Ou será que ninguém nunca falou sozinho ou dançou e cantou no banho, só para não citar outras ações menos recomendáveis?  Portanto, não tem jeito de discordar da velha máxima: “de médico e louco, todo mundo tem um pouco”.

 

Deste modo, não me venham dizer que ficam comportados quando estão sozinhos! Que atire a primeira pedra quem age perfeitamente de acordo com os padrões. Uns estarão torcendo o nariz agora, mas podem ficar tranquilos, ninguém vai ficar sabendo que você é abobalhado. Só você mesmo. Por isso mesmo, antes de falar mal dos malucos, devemos sempre olhar para o próprio umbigo. Uns se exacerbam, claro, mas queiramos ou não: “tá todo mundo louco neste mundão de humanos!” 

 

Quem discorda de mim, vai pensar direito depois que eu lhes perguntar sobre outras manias intramuros além das já comentadas anteriormente. Por acaso, você já esbravejou ante o espelho, quebrou alguma coisa no momento da raiva ou teria lhe passado pela cabeça ficar pelado na rua, levantar a saia de alguma beldade, e até mesmo gritar num lugar onde todos estivessem em silêncio? Obviamente, que eu não disse tudo aqui. Deixo por conta da sua desconhecida e imprevisível mente imaginar o resto. Se respondeu ‘sim’ a pelo menos uma questão, considere-se um maluco fingido. Ainda bem que a escala que mede a idiotice é grande. Ainda temos salvação. Porém, em síntese, todos nós somos, de certo modo, apalermados, em maior ou em menor grau. Imbecis em fase de crisálida, eu diria (viu, amenizei sua situação)...

 

Enfim, correntes da sociedade, seja a religiosa ou a científica, avaliam a loucura sob variados prismas. Para a medicina, a loucura pode ser fruto de uma lesão cerebral, uma disfunção psíquica, ao passo que para os religiosos o doidão pode estar tomado pelo tinhoso, coisa-ruim ou capeta. Pode ser até uma forma de castigo divino. Outra ala de religiosos poderia ver a loucura como uma espécie de purgação da alma, um castigo decorrente de maus atos nas vidas passadas e por aí vai. Cada área tem sua explicação para definir a loucura. O certo é que o sujo sempre fala mal do mau-lavado.

 

O livro “Elogio da Loucura”, de Erasmo de Roterdam tem uma observação interessante sobre o seu assunto central: “Em geral, as paixões são reguladas pela loucura. Com efeito, o que distingue o sábio do louco? Não será, talvez, o fato de o louco se guiar em tudo pelas paixões e o sábio pelo raciocínio?”.

 

Um conselho para finalizar: jogue a pedra para cima, mas não a veja caindo!

Marco Aurelho Veado

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