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Memórias de um dia imperfeito

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Você se lembra onde estava no dia 11 de outubro de 1996? Talvez sim, talvez não. Uma certeza, esta inesquecível, é de que a música brasileira escrevia neste dia um capítulo triste da sua história: a despedida do cantor, compositor e, vamos lá, ídolo “larger than life”, Renato Manfredini Jr. Ou Renato Russo, de quem milhões de fãs se despediram há exatos 20 anos.

Por diversos pontos de vista (noticioso, afetivo, histórico) o dia 11 de outubro de 1996, quando Russo morreu aos 36 anos, de complicações decorrentes da aids, não foi nem nunca mais será um dia perfeito, para citar o título de uma das canções da Legião Urbana.

O cantor e ator André Frateschi, 41, lembra bem daquele 11 de outubro. Ele estava na estrada, dirigindo e digerindo a notícia que recebera pouco antes: Renato Russo, aquele sujeito “reservado, na dele” que conhecera muito menino, dentro de um carro em Brasília, havia morrido. “A estrada tem a capacidade de nos levar ‘para fora’, de dar outra leitura para as coisas. Assim a ficha foi caindo, do tamanho da perda, da dimensão que ele tinha como artista”, lembra.

Presença. Escolhido para ser o vocalista da Legião, Frateschi sobe ao palco com a banda nesta terça-feira, em Deodoro, subúrbio carioca, “com o peso da data, uma entrega de energia mais exacerbada”, como assume. E é inescapável não relacionar a ausência de Russo com a inusitada presença de Frateschi nos palcos nos últimos meses à frente da Legião.

No ano passado, o grupo voltou a fazer shows celebrando sua trajetória na turnê “XXX Anos” e se apresentando para uma (significativa) geração de fãs que nunca tiveram a oportunidade de assistir Russo ao vivo. No próximo dia 22,a banda estará no espaço Só Marcas, em Contagem.

Essa experiência de volta aos palcos é capitaneada por dois membros originais do grupo, o guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá; mas, naturalmente, o holofote da expectativa brilha mais forte em cima de Frateschi.

Por vir de uma família envolvida no meio artístico, Frateschi teve contatos com Russo durante a vida. Um deles foi aos 11 anos de idade, antes de um show da banda, onde pediu a mãe para entregar ao cantor um buquê de flores. Durante a apresentação, Russo “comeu, esfregou as flores. Um mise en scene incrível. Ali comecei a entender o que era arte”, revela.

Hoje, acredita que representa um elo, entre “canções que não morrem nunca” e o público. “Todos os dias peço licença a ele antes de entrar no palco”, revela. “O que faço é um mergulho total na obra (da Legião), mais que no personagem. É minha interpretação, sem replicar gestos, timbres. É uma obra muito cara para mim, me diz muita coisa. São canções atemporais, relevantes. Pensando no meu lado ator, relaciono-o com (o dramaturgo inglês William) Shakespeare”.

Assim como qualquer fã (o que de certa forma aumenta o desafio de cantar essa obra hoje), Frateschi tem na obra de Russo uma inspiração para a vida. “O arrebatamento dele, de viver a música em cada gota de sangue que corria nas veias. Peguei isso”.

Amigo. Se a lógica pop passa muito pela representação (os anseios, os amores, as dúvidas, as referências éticas e de conduta) e seus reconhecimentos (como chegar ao coração e a mente do público), Russo sabia que escrevia músicas para garotos como o belo-horizontino Luiz Rocha, que anos mais tarde formaria a banda Todos os Caetanos do Mundo; seguramente suspeitava que seriam pessoas como ele que ficariam de luto no dia 11 de outubro de 1996. “Eu soube pela manhã indo pra aula. Foi um dia triste pra caramba, foi como ter perdido um amigo próximo. E hoje tenho a idade dele quando ele se foi e só consigo entender algumas coisas que ele disse agora”, conta Rocha.

Na última semana o músico postou em redes sociais uma versão da canção “Maurício”, em tributo ao ídolo. “A influência dele e da banda na minha música é gigante, pois aprendi muito sobre arte e música ouvindo as canções, vendo ele falar nos shows entre as músicas e tentando ser o mais verdadeiro nas minhas escolhas como artista”, conclui.

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